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O que se retira dos testes do GAVE

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Relatório sobre os testes intermédios GAVE 2011

O GAVE (Gabinete de Avaliação Educacional) apresentou recentemente o relatório sobre os testes intermédios realizados em 2011.Estes testes intermédios são utilizados como prova de aferição (avaliação externa) nas escolas que se candidatam e aceitam esta aplicação. É discutível, em minha opinião, a utilização dos resultados destes instrumentos de avaliação externa na avaliação interna, que deveria estar de acordo com o plano de turma (utilizando uma linguagem de vestuário... a roupa feita por alfaiate), acaba-se por orientar o trabalho da turma em função dos calendários definidos pela aplicação destes testes intermédios (...roupa feita em pronto-a-vestir).

Pessoalmente, considero também ser muito importante a preparação dos alunos para testes de avaliação externa tipo exames, e aí a aplicação dos testes do GAVE numa perspetiva de avaliação formativa, parece-me muito importante.

Mais importante ainda ao nível da avaliação é avaliarmos o que ensinamos e aquilo para que preparamos os nossos aluno, considerando que maioritariamente o ensino não está orientado numa direção de mobilização de saberes e competências adquiridos, de uma forma dedutiva relacionando o conhecido e resolvendo o imprevisto.

Para além das desigualdades, repetidamente comprovadas e que mais uma vez este relatório vem comprovar, entre alunos de meios sócio-económicos favorecidos relativamente a alunos com outros handicaps, como profusamente tem sido analisado nos blogs e jornais (ver Público Educação) parece-me muito relevante e um contributo fundamental as sugestões justificativas dos resultados, que os autores do relatório apresentam, sugerindo mesmo orientações metodológicas consentâneas com tal análise.

Estas recomendações deverão ser analisadas atentamente pelos grupos disciplinares, que poderão reconhecer e/ou identificar virtualidades já por si praticadas ou, pelo contrário, alterações necessárias ou desejadas.

Considerando as disciplinas com exames nacionais mais frequentados, no 9º ano, 11º e 12º anos, temos as seguintes recomendações didáticas (retirado do relatório já citado):

Língua Portuguesa - 9º ano

Propostas de intervenção didática

"O desempenho dos alunos foi, de um modo geral, positivo, como parece indicar a média global de 55%. Os melhores desempenhos situam‐se no domínio da leitura de texto de carácter informativo, particularmente em itens de seleção, e as principais dificuldades emergem em itens de construção: tanto em itens em que se avalia leitura orientada de texto literário, como em itens em que se avalia conhecimento explícito da língua, especialmente quando a resposta exige o domínio de metalinguagem. A análise dos resultados item a item confirma este perfil de desempenhos.

Destacam‐se, assim, duas áreas específicas em que parece ser necessária uma intervenção didática: a leitura orientada (de texto literário) e o conhecimento explícito da língua, em particular em itens com recurso a metalinguagem.

Em relação às dificuldades de leitura, sugere‐se uma atenção especial ao ensino da leitura de texto literário, tanto através do desenvolvimento de hábitos de leitura autónoma, como através do treino específico e orientado da leitura de textos literários de diferentes tipologias,épocas e autores.

Os resultados do teste confirmam a necessidade de se reforçar o ensino da gramática, quer ao nível da manipulação de unidades linguísticas, quer ao nível da construção de conhecimento metalinguístico. Salienta‐se a premência de intervenções educativas fundamentadas no âmbito do ensino da gramática, face à reconhecida implicação do conhecimento explícito da língua no desenvolvimento equilibrado dos demais domínios de aprendizagem no âmbito da língua materna.

Reiterando ainda recomendações apresentadas em 2010, as dificuldades de escrita compositiva, evidenciadas especialmente no item 8., mas também na generalidade dos itens de construção, afetam domínios de aprendizagem transversais ao currículo. Estas dificuldades poderão ser minimizadas através de abordagens processuais de ensino da escrita (que atendam à especificidade da planificação, textualização e revisão) e através de um treino recorrente de escrita com fins multifuncionais. "

Matemática – 8.º e 9.º anos

Propostas de intervenção didática

"No 8.º ano, o desempenho dos alunos foi idêntico nos itens de escolha múltipla e nos itens de construção, enquanto no 9.º ano o nível de desempenho dos alunos foi melhor nos itens de escolha múltipla do que nos itens de construção. As principais dificuldades dos alunos, tanto no 8.º ano como no 9.º ano, prenderam‐se com a complexidade do que se pretendia avaliar e, em relação a alguns itens, com o facto de se avaliarem conteúdos já lecionados há algum tempo.

De um modo geral, tanto no 8.º ano como no 9.º ano, verificamos que os alunos revelaram melhor nível de desempenho nos itens que não envolviam cálculos ou que envolviam apenas cálculos elementares, nos itens de fácil interpretação e nos itens que mobilizavam conceitos muito trabalhados nas aulas. Sempre que um item obrigava à mobilização de vários conceitos e/ou envolvia interpretação e compreensão de um enunciado mais elaborado ou a escolha de uma estratégia menos habitual, as dificuldades dos alunos aumentavam, sendo o seu desempenho mais fraco. Por sua vez, também foi insuficiente o desempenho dos alunos nos itens que envolviam um raciocínio abstrato. Em termos de temas/conteúdos, a Geometria continuou a ser o tema em que os alunos apresentaram maiores dificuldades, apesar de no 9.º ano se terem identificado fragilidades nos itens que avaliavam conteúdos do tema Álgebra e Funções.

Tendo em vista a melhoria do desempenho dos alunos, recomenda‐se o desenvolvimento de trabalho que permita a apropriação de rotinas. Sugere‐se também a resolução de problemas variados, dos quais devem constituir exemplos os problemas de testes intermédios e de exames já realizados. Em relação a estes problemas, sugere‐se que a sua resolução seja complementada com a análise, a realizar com os alunos, dos respetivos critérios de classificação, aplicados aos processos de resolução seguidos pelos alunos em cada item."

 

Biologia e Geologia – 10.º e 11.º anos

Propostas de intervenção didática

"A interpretação dos dados disponíveis parece indicar que os desempenhos mais fracos estão associados a operações que implicam a mobilização e a utilização de dados, conceitos, modelos e teorias, bem como o estabelecimento de relações entre conceitos e a explicação de contextos em análise, com base em critérios fornecidos, independentemente dos conteúdos conceptuais em causa.

Os desempenhos registados parecem, ainda, indicar fragilidades ao nível da construção de texto (com correção e coerência na organização dos conteúdos e na aplicação de linguagem científica), com base em raciocínios argumentativos ou raciocínios de causa‐efeito. Verifica‐se, também, que as dificuldades na interpretação/compreensão dos suportes fornecidos, bem como na mobilização dos respetivos dados, podem contribuir para os baixos desempenhos registados em alguns itens. Por outro lado, em alguns itens de ordenação registaram‐se desempenhos fracos, o que poderá significar a existência de dificuldades na resposta a itens desta tipologia.

Assim, na sequência dos resultados obtidos, sugere‐se um reforço das experiências de aprendizagem que contribuam para o aperfeiçoamento da qualidade da produção de texto argumentativo, promovendo, por exemplo, o desenvolvimento de raciocínios causa‐efeito. Este trabalho deverá estar associado à identificação/interpretação de informação fornecida em suportes diversos, de forma a contribuir para o desenvolvimento da capacidade de mobilização dessa informação. A intervenção didática deverá, ainda, privilegiar o desenvolvimento de capacidades que impliquem operações mentais de maior complexidade,que são aquelas em que se verificaram os desempenhos mais baixos.

Registe‐se que o desenvolvimento das referidas capacidades deve ser feito num quadro de aquisição plena de conhecimentos que decorra da informação fornecida aos alunos acerca dos conteúdos programáticos. Considera‐se, deste modo, que o desenvolvimento significativo dessas capacidades não deve ser feito à custa de uma abordagem superficial dos conteúdos programáticos."

Física e Química A – 10.º e 11.º anos

Propostas de intervenção didática

"Os dados disponíveis sugerem que o desempenho dos alunos na resolução dos itens continua a ser independente dos conteúdos programáticos nos quais aqueles itens incidem, parecendo haver uma relação mais direta do desempenho com o grau de complexidade das operações mentais envolvidas.

Verifica‐se que continuam a existir dificuldades por parte dos alunos na construção de textos cientificamente válidos, nos quais se verifique rigor científico dos conteúdos e da linguagem utilizada.

Os itens de cálculo, cuja resolução passa pelo estabelecimento de uma metodologia adequada que permita chegar ao resultado pretendido, continuam, à semelhança do que tem acontecido em anos anteriores, a ser itens de elevado insucesso. Na generalidade destes itens, verifica‐se a obtenção de valores bastante elevados de percentagens de cotação nula (oscilando entre 20,4% e 68,3%, sendo a sua média 43,5%), o que traduz um insucesso na abordagem do problema proposto e no estabelecimento das etapas de cálculo adequadas, tarefas que os alunos não conseguem realizar devidamente.

Tendo em conta os resultados, parece ser necessário continuar a desenvolver um trabalho sistemático, no âmbito da disciplina de Física e Química A, que incida na comunicação de ideias através da produção de texto escrito, nomeadamente na comunicação de raciocínios lógicos e na apresentação de justificações.

Será também necessário orientar os alunos, em contexto de sala de aula, no sentido de uma aprendizagem que lhes permita identificar corretamente as situações propostas nos suportes e nos enunciados dos itens, bem como mobilizar os dados existentes para a resolução das questões apresentadas, procedendo ao respetivo enquadramento teórico."

Matemática A – 10.º, 11.º e 12.º anos

Propostas de intervenção didática

"De um modo geral, os itens em que os alunos revelaram melhor nível de desempenho foram os itens que contemplavam situações rotineiras frequentemente utilizadas nas aulas para apresentar conceitos ou técnicas específicas, bem como os itens idênticos a itens propostos em testes recentes.

Os itens em que os alunos revelaram pior desempenho foram os itens de construção que envolviam vários cálculos, que continham muita informação ou que envolviam o recurso a uma estratégia não habitual. Em particular, os alunos evidenciaram muitas dificuldades em itens que envolviam um ou mais parâmetros.

O desempenho também foi fraco nos itens que envolviam raciocínios demonstrativos e nos que incidiam em conteúdos que não tinham sido lecionados em datas próximas da data da realização do teste.

Os dados disponíveis sugerem que, no 12.º ano, o desempenho dos alunos nos itens que tinham por objeto conteúdos do tema Cálculo Combinatório e Probabilidades foi melhor do que o desempenho nos itens que tinham por objeto conteúdos do tema Funções. No 10.º ano e no 11.º ano, os alunos revelaram melhor desempenho nos itens que tinham por objeto conteúdos do tema Funções do que nos itens cujo objeto era Geometria/Trigonometria. No entanto, as diferenças não são significativas, o que sugere que o nível de desempenho dos alunos não é condicionado de forma evidente pelos conteúdos avaliados.

As diferenças registadas nos níveis de desempenho poderão ter resultado, em parte, do tipo de item (itens de escolha múltipla vs. itens de construção), mas, fundamentalmente, terão decorrido do tipo de operações mentais que é necessário mobilizar na resolução do item.

Sugere‐se que os professores dediquem um tempo apreciável à análise, com os alunos, dos vários itens, e das respetivas etapas de resolução, dos testes intermédios já realizados. Essa análise deve permitir que os alunos reconheçam que muitos dos itens propostos aplicam conceitos e propriedades básicas ou são problemas rotineiros, idênticos a outros que resolveram nas aulas, e, consequentemente, constituir um incentivo para que os alunos reforcem o seu investimento na aquisição e na aplicação dos conceitos reconhecidos como fundamentais, tornando‐se também cada vez mais ágeis nos cálculos.

Os processos mentais mais complexos não podem, igualmente, ser descurados, pelo que deverão continuar a ser propostos itens que envolvam conexões, estratégias não habituais e raciocínios demonstrativos, enfatizando‐se, sempre que possível e oportuno, quer a diversidade das estratégias utilizadas, quer o papel que o domínio dos procedimentos rotineiros assume na resolução destes itens de nível de dificuldade mais elevado.

Atendendo ao fraco desempenho em itens que envolviam um ou mais parâmetros, recomenda‐se a resolução de itens com estas características a partir do 10.º ano.

Sugere‐se ainda que os alunos sejam desafiados, ao longo do ano, a resolver itens sobre os conteúdos lecionados há mais tempo, de modo a que a aprendizagem seja consolidada."

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