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Redução da Carga Horária da Educação Física?

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Redução da Carga Horária da Educação Física no 3º ciclo do EB e no Ensino Secundário?

Numa consulta ao site da Direção Geral de Educação, http://www.dgidc.min-edu.pt/ , o CNAPEF deu conta de um documento intitulado – “Matrizes Curriculares dos Ensinos Básico e Secundário.” - Matrizes curriculares do Ensino Básico e Secundário. Neste documento a carga horária da Educação Física no 3º Ciclo está incluída no grupo das Expressões e Tecnologias, com um total de 300 minutos de carga horária semanal nos 7º e 8º anos e 250 minutos no 9º ano. Estes minutos serão distribuídos pela nossa disciplina, pelas TIC e oferta de escola e pela Educação Visual. Acrescenta ainda uma alínea com o seguinte texto – “b) Do total da carga, no mínimo, 90 minutos para Educação Visual, nos 7.º e 8.º anos e 135 minutos no 9.º ano. “.

No ensino secundário verifica-se uma redução dos atuais 180 para 150 minutos (?!). Situação idêntica ocorre noutras disciplinas do ensino secundário.

Uma forma ardilosa, de sem pré-aviso, sem discussão, sem justificação... reduzir mais ainda o número de horários de professores, poupando assim o dinheiro que se gasta em PPP (parcerias público-privadas) e afins !

Ver mais aqui

O CNAPEF e a SPEF enviaram ontem ao ministro uma carta aberta em que manifestam a sua perplexidade sobre o conteúdo destas matrizes curriculares:

Exmo. Sr. Ministro da Educação e Ciência, Prof. Dr. Nuno Crato,

Foi com profunda indignação e total discordância que a comunidade da Educação Física (EF) se confrontou, no passado dia 25 de maio de 2012, com o teor da matriz curricular para implementar no ano letivo 2012/13, disponibilizada no sítio da Direção Geral de Educação (DGE).

A total falta de coerência entre o conteúdo desta matriz e o do documento referente à Revisão da Estrutura Curricular que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) apresentou como a proposta final decorrente deste processo, no dia 26 de Março de 2012, ao movimento associativo de Educação Física e público em geral, só nos pode levar a concluir que se trata de um equívoco por parte do MEC, um erro que urge corrigir.

Não são minimamente sustentáveis as decisões que este documento encerra. Para além de não existirem nenhumas razões conceptuais, científicas e de natureza curricular que fundamentem a agregação da Educação Física, Educação Visual, TIC e Oferta de Escola numa área intitulada de Expressões e Tecnologias no 3º ciclo, é atribuído um crédito total de minutos a esta área para ser gerido no seio de cada escola, de acordo com o critério dos seus gestores, permitindo que possa vir a desprezar-se totalmente a carga horária que estava definida para a área disciplinar da Educação Física, por ano/ciclo de escolaridade, que já de si era claramente insuficiente face a todas as orientações internacionais, nomeadamente europeias. No caso particular do Ensino Secundário, é proposta uma redução de trinta minutos na carga horária da disciplina de Educação Física, o que perfaz cerca de menos 16 horas de aulas anuais, ou seja, menos cinco semanas de aulas por ano.

Esta proposta de matriz promove de forma totalmente injustificada e sem qualquer base científica uma redução horária da única área do currículo que contribui direta e decisivamente para a saúde da população infanto-juvenil portuguesa, num contexto em que o país revela a segunda maior taxa de prevalência de obesidade e sobrepeso da Europa, e uma das mais baixas taxas de prevalência de atividade física. Consequentemente, promove o desenvolvimento de um dos maiores flagelos do século XXI, o sedentarismo, e compromete o imprescindível desenvolvimento de hábitos de vida saudável na população portuguesa. Esta matriz, para além de contrariar todas as orientações curriculares europeias, no que à Educação Física diz respeito, surge em contraponto a uma recente resolução da Assembleia da República Portuguesa, onde se reconhece a necessidade de se reforçar a atividade física da população em idade escolar. Perante estas evidências, está Vossa Excelência consciente das consequências nefastas para a saúde da população portuguesa desta decisão e na disponibilidade de a assumir junto dos alunos, pais e do país em geral? Estará Vossa Excelência convenientemente informado sobre o impacto económico da prevenção da doença através da atividade física previsto pela Organização Mundial da Saúde?

Deste modo, perante as graves consequências para as finalidades do sistema educativo nacional e a forte indignação da classe dos profissionais da Educação Física face a esta orientação de que Vossa Excelência é o principal responsável, vimos solicitar uma audiência urgente e exigir a suspensão imediata desta proposta tão controversa quanto peculiar.

Os Presidentes das Direções do CNAPEF e da SPEF,

João Lourenço

Marcos Onofre”

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